Foundry on Wheels: Entrevista a Pedro Intxausti, IK4-Azterlan

1. Com base na sua experiência na fundição como perspetiva o futuro da indústria?

Eu sou otimista relativamente ao futuro do setor da fundição. Os diversos materiais que podem ser trabalhados, sobretudo o ferro e alumínio. Porquê? Porque a metalurgia destes materiais terá um futuro amplo de desenvolvimento e a capacidade de realizar elementos ou componentes ou conjuntos irá melhor de forma muito notável.

A outra parte da moeda que é a procura, independentemente do carro elétrico ou não elétrico, eu acredito que a procura vai continuar a subir. No campo do automóvel, em outros campos também como, por exemplo, o setor eólico, setor aeronáutico, que são setores fortes no mundo industrial. Por esse motivo eu estou otimista.

Azterlan está a apostar na metalurgia como um elemento decisivo no progresso industrial deste mundo.

2. A manufatura aditiva, “3D printing”, acredita que vai ser um concorrente, ou não?

Eu acredito que o desenvolvimento dessa tecnologia vai-se tornar uma pequena concorrente ao mundo clássico da fundição. O que se passa é que tem um futuro, eu acredito que importante, mas o desenvolvimento vai ser muito difícil. Para produzir com fiabilidade e capacidade que têm os sistemas presentes e futuros dentro do mundo da fundição.

Por este motivo, eu acredito que este desenvolvimento leve pelo menos 10, 15 anos para que se torne realmente concorrência. Mas vai ser difícil realizar grandes produções com esta tecnologia.

3. Há uma questão muito importante para o CITNM e todo o mundo da fundição, que é o ensino da fundição na Academia, na Universidade e nos Centros de Formação. Considera que é adequada, deficiente? Considera que as pessoas entram nas empresas preparadas para as suas funções? E, qual é o impacto que a questão da educação pode ter na indústria da fundição?

Tem sido classicamente uma deficiência muito importante em quase todos os países do sul da Europa. Em Espanha, nas escolas de engenharias, a fundição de ferro e alumínio têm sido a “irmã pobre”. Dedicaram-se a aços, à siderurgia e a fundição tem sido um pouco desprezada. Em muitas faculdades e escolas de engenharia não se toca no tema da fundição. A sociedade de fundidores espanhola há 20 anos que detetou este problema e, de alguma maneira, reestruturou um mestrado de fundição para pós-graduados que pudessem aceder depois com total garantia do que é a atividade nas empresas da fundição. Eu acredito que é um grande desafio para o CITNM.

4. Acredita que este encontro, que junta os setores do automóvel e da fundição, ajudam no desenvolvimento do setor e na sua investigação?

A mim surpreendeu-me agradavelmente o que ouvi aqui. Agradavelmente porque acredito que há uma conjunção entre o que são clientes, utilizadores, peritos, pessoas da fundição e pessoas dos centros como nós, que de alguma forma fornecemos tecnologia à fundição. E isso parece-me muito importante. Já defendemos há alguns anos quando estávamos a planear o Centro que tínhamos que ir um pouco nessa direção. Por um lado, tudo o que tem a ver com os profissionais que vêm da universidade, os mestrados, os que podem fazer doutoramento ou pós-doutoramentos, e que devem ser mais incentivados, e toda esta forma de juntar tanto aos provedores como aos utilizadores do setor. Eu creio que a intervenção da Continental Automotive neste congresso recorre a grande parte daquilo que nós temos defendido relativamente àquilo que melhora os processos de fabrico das fundições e do conceito de como avançar na tecnologia.

5. Daqui a 2 anos podemos contactar com a Azterlan?

Claro. Temos feito uma aposta clara desde o momento zero e mantê-la-emos. Dentro de dois anos cá estarei.